Eu li uma reportagem na revista Bula e foi inevitável pensar do meu pai. Ele morreu em uma noite no dia 29 de novembro de 1995, eu tinha treze anos. Desde 1988, quando ele teve o primeiro acidente vascular cerebral (AVC), víamos sofrendo com seus problemas de saúde, nessa época eu tinha seis anos.
Mas em 1995 foi diferente, meu pai foi ao médico porque estava indisposto, e como já vinha com uma serie derrames e problemas de coração na adolescência, os médicos resolveram interná-lo. Era um domingo, eu fui visitá-lo somente na quarta-feira e por insistência da minha tia. Odiava hospital e continuo odiando.
Parando e pensando sobre o relacionamento entre eu e meu pai, agora percebo que nunca fomos muito ligados. Ele tinha uma atenção maior com a minha irmã. Com ela sim, ele saia para a rua, brincava enquanto eu, ficava em casa com a minha mãe.
Cresci assim, amando-o, claro, mas mantendo uma certa distancia, era um medo de ser repreendido, repelido, sei lá.
Das lembranças que tenho uma das mais forte era que meu pai sempre me incentivava a estudar, queria que eu e minha irmã fizéssemos uma faculdade e nos formássemos. Acredito que era o seu sonho.
Lembro que quando morreu fiquei muito triste, mas não chorei, não conseguia chorar e por muito tempo eu me culpava por isso, não entendia como um filho pode não chorar quando seu pai morre. E convivi durante muitos anos com essa culpa silenciosa
A primeira vez que verdadeiramente chorei a sua partida foi quando descobri que seria pai. Eu estava com dezessete anos e senti tanto a falta de ter um pai, uma saudade que me sufocava. Senti a falta de te-lo ao meu lado para me dar conselhos, dizer que tudo daria certo, que me indicasse o caminho a seguir.
Eu me senti tão sozinho e com uma dor tão forte no peito que sentei e chorei, a culpa foi embora. Hoje, quando lembro do meu pai imagino o quanto estaria orgulhoso de ver que seus filhos estão bem, formaram-se e que hoje são pais de crianças lindas e saudáveis.
Prefiro imaginá-lo em um lugar bonito e tranquilo onde pode escutar seus sambas, ouvir no radio os jogos do corithians e principalmente sendo feliz.

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