sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O casamento perfeito



“Tire a televisão de dentro do Brasil e o país desaparece” Eugenio Bucci

O fato é que a televisão está diretamente inserida na sociedade brasileira usando de seus mais poderosos artifícios: entreter, emocionar, iludir, às vezes informar e quase nunca educar.

Embora ela seja o principal meio de acesso a informação dos brasileiros, todo o cuidado é tomado para que tais informações sejam, ou não, transmitidas conforme os interesses de seus proprietários.

Não acreditem os ingênuos, que todos os fatos importantes são passadas pela telinha, ao contrario, ela é capaz de se calar, fingir que não viu, para assim não se comprometer.

Ao longo dos anos, a TV procurou cultivar um relacionamento íntimo com seu público, e o que começou com uma “proposta” de amizade, tornou-se uma paixão nacional.

O público, por sua vez, se torna refém da imagem transmitida, cria-se uma idéia deturpada de que se aparece na televisão, é verdade.

As pessoas sentem-se seguras quando as coisas são visíveis, quase palpáveis. Veem a si mesmas através da tela.

Tão preocupado com a realidade transmitida, o público não questiona o que passa, e muito menos a própria TV o faz.

A relação cultivada ao longo dos anos, entre público e televisão, de amizade e, posteriormente, paixão. Virou casamento, e, pelo que se vê, será duradouro.

Para alguns, ela emburrece, outros a veem como um grande supermercado de ideologias inúteis. No entanto, com a massa brasileira se informando pela TV, não cabe aqui uma apologia ao fim, mas sim uma reflexão sobre seu conteúdo.

Não é só entreter e divertir, tem que educar e informar. Ser responsável e assumir tal responsabilidade com o público que prestigia esse veículo.

Só não espere o expectador que a televisão mudará por vontade própria. Cabe ao público que prestigia os programas televisivos, e que, proporcionam os elevados índices de audiência aos veículos, questionar, criticar, e até mesmo reclamar do conteúdo transmitido. Só assim será possível uma “nova televisão”.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sou o assunto que conheço melhor (Frida Kahlo)

Frida Kahlo nasceu com o nome de Magdalena Carmen Frieda Kahlo Calderón em 6 de Julho de 1907, na Cidade do México, porém gostava de declarar-se filha da revolução ao dizer que havia nascido em 1910.


Sua vida foi marcada por grandes tragédias. Aos seis anos contrai poliomielite, o que a deixou com o pé direito ligeiramente deformado. A partir daí começa a usar calças para esconder a deformação e após, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas.

Aos 18 anos, um ônibus em que passeava chocou-se contra um bonde. Devido ao acidente, sofreu múltiplas fraturas, além de ter uma barra de ferro atravessando-a entre a bacia e a vagina. A pintora fez várias cirurgias e ficou muito tempo presa a uma cama. Foi nessa época que, por incentivo dos pais, Frida começa a pintar.

Em 1928 Kahlo ingressa no Partido Comunista Mexicano, onde conhece o muralista Diego Rivera com quem se casa em 1929. Sob a influência da obra do marido, empregou zonas de cor amplas e simples num estilo propositadamente reconhecido ingênuo.

Frida sempre pintou a si mesma: "Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor". Suas angústias, suas vivências, seus medos e principalmente seu amor pelo marido Rivera, foram temas sempre decorrentes em sua obra.

A sua vida com Rivera foi bastante tumultuada. Diego tinha muitas amantes e Frida compensava as traições do marido com amantes de ambos os sexos. Sua maior dor foi a impossibilidade de ter filhos (embora tenha engravidado mais de uma vez, as seqüelas do acidente a impossibilitou de levar uma gestação até o fim), o que ficou claro em muitas obras.

Seus quadros refletiam o momento pelo qual passava e, embora fossem bastante "fortes", a mesma não os considerava surrealistas: "Pensaram que eu era surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, só pintei minha própria realidade".

A artista procurou afirmar a identidade nacional mexicana na sua arte, por isso adotava com muita freqüência temas do folclore e da arte popular do México.

Frida morreu em 1954 de embolia pulmonar após contrair uma pneumonia, porém no seu diário a última frase causa dúvidas: "Espero alegremente a saída - e espero nunca mais voltar - Frida". Talvez a pintora não suportasse mais.

Em 1955 Rivera legou a casa em que viveram à nação mexicana, e hoje abriga o museu Frida Kahlo, conservada em seu estado original contêm, além de obras da artista, peças de arte popular, vestidos tehuana, jóias que usava, cartas, livros e seu diário, que é sem dúvida seu legado mais íntimo.

Imagens do diário de Frida Kahlo
 
 

domingo, 15 de agosto de 2010

Cores de Frida Kahlo

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores! (Adriana Calcanhoto)

Lucidez

Pego-me sempre querendo expressar algo, algum sentimento que me aperta o peito, que me sufoca, que me falta o ar. Sempre me apego querendo cantar, falar, gritar, despir, vestir, compartilhar.
Isso me sufoca, me esquenta, me esfria, morna e durmo.
Não sei explicar, eu quero explicar, eu preciso, eu sinto, eu sou. O que sou?
Sou homem, sou vida. Quero vida, dar a vida sem medo, sem apego, sem sossego.
Não pensar no amanhã, não viver em busca do amanhã. Ser o hoje, vivê-lo, senti-lo, querê-lo, tê-lo, sem medo.

13ª AUDIÊNCIA SABESP DE SUSTENTABILIDADE

Teatro Municipal de São Sebastião/SP - 22/Nov/2008


Aproveitando o potencial do Litoral Norte para o Ecoturismo, São Sebastião foi escolhida pela Sabesp para a realização da 13ª Audiência de Sustentabilidade, no belo teatro municipal no centro da cidade. O evento realizado foi marcado pelo diálogo de várias autoridades e a apresentação de alternativas e projetos que viabilizam o desenvolvimento sustentável do ecoturismo no Litoral Norte.
O assessor de Meio Ambiente da Sabesp, Marcelo Morgado, iniciou as palestras enfatizando a vocação que o litoral Norte tem para o Ecoturismo e as diferentes visões que seriam apresentadas com propósito de trabalhar em conjunto.
O superintendente da Unidade de Negócios Litoral Norte da Sabesp, José Bosco, explicou os projetos que aderem ao "Onda Limpa", já iniciados e em fase de licitação. O programa contempla 390 km de redes coletoras de esgoto, com investimentos de mais de R$ 250 milhões que serão aplicados por meio de investimentos do BNDES, Caixa Econômica Federal e Sabesp. O projeto estima que até 2015 consiga a universalização do saneamento no litoral Norte.

Alavanca para a sustentabilidade
A professora do curso de turismo da USP, Drª Doris Ruschmann, apresentou o Ecoturismo como alavanca para a sustentabilidade de destinos turísticos. Doris salientou a rejeição que existe hoje à modernidade e ao sintético. "As pessoas querem o contato com o meio ambiente, querem o contato com a natureza, elas estão buscando isso". Para Doris, o turismo sustentável é a solução para aliviar o stress da cidade, tendo em mente um enfoque multidisciplinar, com planejamento e regulamentos em conjunto com os setores privados, ongs, governo e comunidades. "Cada um tem que entender seu papel na sociedade (....) tem que pedir licença para a natureza". Ruschmann destacou a ética ambiental e os valores intrínsecos cunhados na natureza, como fonte de incentivo para as comunidades. "O ecoturismo precisa ser muito mais do que um bom negócio, ou uma chance para aqueles que vivem em regiões economicamente privilegiadas do planeta".
Eduardo Cimino Carvalho, presidente do Convection Bureau do Litoral Norte e Associação Comercial Industrial de São Sebastião, apresentou a vocação econômica do Litoral Norte como atrativo para o turismo sustentável na cidade. Carvalho acredita na importância da indústria do turismo para São Sebastião, como geradora de empregos, aumento da arrecadação de impostos e valorização dos recursos naturais e culturais para a cidade. Para ele o "produto turístico" tem que se basear entre atrativos, entretenimento e serviços de qualidade, que, segundo ele, é ineficiente. "Como vamos receber o turista que virá em 2014 (durante a Copa do Mundo), se não temos uma casa de câmbio na cidade?", afirma.

Oportunidade

A Associação Comercial de São Sebastião em parceria com a Sebrae abriu cursos para capacitação de mão de obra hoteleira e comércio em geral, porém não obtiveram sucesso devido a pouca procura. "As vezes não é difícil dar os cursos, e sim colocar os alunos lá dentro, colocar pessoas interessadas lá dentro (....) o curso começava com vinte e trinta alunos, depois de uma semana só tinha dez". comenta Carvalho. Segundo o presidente da Associação Comercial a adequação do "Projeto Empreender" pode ser a solução para que o setor privado contribua com o turismo receptível. O projeto conta com o apoio da Facesp e Sebrae.

Ascenção do ecoturismo
Susana Byun, coordenadora da comitiva de São Paulo ao litoral Norte e
Carlos Roberto Nunes, coordenador dos projetos Ecoturismo Instituto Ilha Bela Sustentável e Movimento Nossa Ilha Mais Bela, apresentaram os projetos que visam aprimorar o potencial da ilha para o ecoturismo sustentável.
Ilha Bela foi um dos 65 municípios escolhidos pelo Ministério do Turismo para o programa de regionalização do turismo, e que tem a responsabilidade de colocar o litoral Norte em maior evidência. "Ilha Bela tem 200 km de trilhas em potencial, mas se você for ver apenas 20% são andáveis" comenta Nunes.
Para Nunes, a cidade pode oferecer muito para o turismo, porém existem muitas dificuldades para que possa mostrar seu potencial no campo do Ecoturismo, entre eles a falta de infra-estrutura e a baixa qualificação dos guias. "A gente acredita que existe uma corrente a favor e que, com a disponibilidade do Estado possamos desenvolver o turismo. Esse é o sonho". Enfatiza Nunes.
O Instituto Ilha Bela Sustentável, em parceria com a Fundação Florestal e cooperação com a prefeitura municipal, têm a proposta de mudar a visão que se tem da ilha. Para tanto quer fomentar o ecoturismo dentro do Parque Estadual da Ilha, buscando incrementar o turismo sustentável no município e elaborar o levantamento e mapeamento das trilhas da região.
Téo Pedrozo Máximo Balieiro, secretário Municipal do Meio Ambiente de São Sebastião, foi o último palestrante da tarde e tratou a responsabilidade do poder público na promoção do Ecoturismo. "Como papel do poder público, eu coloco o fomento e capacitação dos guias e todos os profissionais que atuam nesta cadeia" enfatiza o secretário. Segundo Pedrozo, o poder público tem que trabalhar na regularização de áreas fundiárias, alem de focar em um plano de gestor. "O Ecoturismo é atividade fundamental para conservar nosso patrimônio natural e não alimentar o ciclo de degradação, a lógica de supressão".
A Sabesp ofereceu o transporte para que vários lideres comunitários e ONGs, participassem do evento. A grande maioria era da zona norte. Eliana Guarda, funcionaria da Sabesp, responsável no programa de participação comunitária deu uma palavra ao ZNnLinha sobre as audiências promovidas pela empresa. "Acho que é um estreitamento dos laços entre a Sabesp e a comunidade, acredito que as pessoas têm que interagir nas coisas da sociedade". Para Giselda Guanabara, presidente da Ong "Projeto Cidadão" estar por dentro dos projetos sempre é valido. "Trabalho com projetos sociais, temos que estar cientes de tudo o que acontece, para que possamos adaptar às questões da ONG".



Texto e Fotos: Flávio Rocha (http://znnalinha.com.br/html/sustenta_13.html)