terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Artista urbanos

Artistas de rua da região central de São Paulo fizeram uma passeata ontem contra a medida tomada pela prefeitura da capital que os proibiriam de expressar sua arte. Em nota, a prefeitura de São Paulo negou a proibição e ainda se diz favorável com as apresentações.
Essas fotos foram tiradas em 2008 para um trabalho da faculdade na disciplina de fotografia, todos os artistas fotografados não só trabalham no centro, como fazem parte dele. O centro é isso, uma mistura de povos e artes e esses personagens merecem ser respeitados como parte do centro que são.














segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Extraordinários anônimos

“Esse é o encanto de A vida que ninguém vê : contar os dramas anônimos como os épicos que são” (Eliane Brum). Essa é a essência do livro “A vida que ninguém vê” (Arquipélago Editorial) escrito pela jornalista Eliane Brum.

Jornalista consagrada, Eliane foi convidada no final dos anos 90 a escrever crônicas-reportagens,  sobre situações reais de pessoas que são, em muitas vezes, invisíveis aos olhos da sociedade. O sucesso foi tamanho, que resultou no livro.

Eliane Brum é gaúcha de Ijuí, e já ganhou mais de 30 prêmios de reportagem, entre eles o Açorianos de Literatura como autora revelação, pela publicação em 1994 de “Coluna Prestes – O Avesso da lenda”, onde refez em 44 dias a marcha da Coluna Prestes, entrevistando depois de 70 anos os brasileiros que na década de 20  fizeram parte daquela história.

O livro “A vida que ninguém vê” foi o vencedor do Prêmio Jabuti de 2007 como o melhor livro de reportagem. Não muito diferente do que fez em “Coluna Prestes”, neste livro ela também relata histórias reais. São 21 narrativas extraordinárias de pessoas comuns, heróis da vida real que poderiam nunca ter virado noticia, se não fosse pelo olhar de Eliane.

O livro tem uma linguagem fácil e sofisticada, muitas vezes com relatos tão minuciosos que parecem fictícios. Com personagens reais, mas que só existem, graças ao toque da autora, que consegue extrair as mais impressionantes versões.

“O que eu procuro fazer é tirar essa poeira e mostrar que o banal pode ser extraordinário. Isso é libertador", destaca a autora, que acredita que o jornalismo tem que aproximar mundos e quebrar jeitos viciados de olhar a realidade.
Boa ouvinte, Eliane não possui fórmulas para fazer com que as pessoas entreguem as histórias de sua vida em suas mãos. Mas é convicta que não se deve arrancar nada de ninguém, as pessoas é que deverão confiar seus relatos.
 Um bom exemplo desta convicção é quando Eliane encontra Sapo, um mendigo de Porto Alegre que há 30 anos passa o dia na mesma posição, “tive que curvar o pescoço, me agachar e colocar meus olhos no mesmo plano dos olhos dele, quando venci a diferença de centímetros e olhamos um nos olhos do outro, estabeleceu-se a confiança.”
A partir deste momento acontece um dos relatos mais comoventes do livro, a mudança do olhar foi transformadora. “Eliane o mundo é bom, só é mal frequentado”, afirmou Sapo.
 A autora procura com toda sua sensibilidade mostrar que muitos (talvez até ela) ainda possuem uma visão acostumada das coisas, cria-se um estereótipo da realidade, com disse no livro: “Acabamos criando uma catarata nos olhos”.
Como na história do gaúcho de cavalo de pau, que todo ano invade os rodeios em cima de um cabo de vassoura, como se fosse seu cavalo "Ele chegava, passava pela inspeção veterinária, cavalgava e todo mundo o via como louco. Era o louco do cavalo de pau. Eu simplesmente não acreditei nisso e fui conversar com ele, perguntei se ele achava que aquela vassoura era um cavalo", relata.
A resposta: "É claro que eu sei que esse cavalo é um cabo de vassoura. Mas se eu não inventasse esse cavalo, a vida ficaria muito triste".  
 Além de uma leitura singular, a autora pretende ainda que seu livro seja utilizado nas faculdades de jornalismo, a fim de reverter ao que se chama hoje de “reportagem externa”. Onde as entrevistas são realizadas por telefone ou e-mail. É uma verdadeira campanha pela volta do jornalismo que vai para as ruas (que suja os pés) que prioriza a noticia através do olhar do repórter. Olhar tem aqui o sentido de ver o outro lado, e não somente verificar as informações através do telefone ou internet.
Com prefácio de Marcelo Rech e posfácio de Ricardo Kotscho “A vida como ninguém vê” é um convite não só à boas histórias com extraordinários personagens anônimos, como também uma conceituação didática aos jovens jornalistas, mostrando-se como se deve fazer o bom jornalismo.  


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Poder eterno ao Rei

Imagem internet
Traçar a queda da autocracia etíope sob o reinado de Hailé Selassié através da visão de seus súditos e devotos incondicionais. Essa é a intenção de Ryszard Kapuscinki, autor do livro O Imperador, a queda de um autocrata.


No livro, Kapuscinski dá voz aos que não eram ouvidos, procurando formar através dos relatos de diferentes personagens, a história extraordinária sobre um reinado que durou mais de 40 anos.

A fontes do autor não foram ministros, governadores ou generais, que cercavam Selassié, mas sim funcionários do palácio em Adis-Abeba, capital etíope, que serviam e veneravam seu imperador.

“Não eu não estava sozinho; tinha um guia”.

“Agora que ele já morreu, posso revelar seu nome: Teferra Gebrewold”.

Com isso, o ponto de vista dominante no livro é o dos subalternos, daqueles que quase postados no chão contemplam o poder de baixo para cima. São eles serviçais encarregados de limpar os sapatos dos dignitários, ou o que colocava as almofadas sob os pés de Selassié quando ele sentava no trono evitando que suas pernas balançasse.

Kapuscinski apresenta as narrações apenas com as iniciais de sua fonte, para que assim se preserve as identidades. O que não interfere na montagem cronológica do livro, pois o autor consegue extrair relatos minuciosos onde uma história complementa a outra.

Na visão dos súditos o imperador não era um homem, era um ser grandioso, livre de qualquer culpa pelas desordens que aconteciam na Etiópia, afinal existiam os ministros que eram os responsabilizados por quaisquer desordem- mesmo que o imperador estivesse ciente de seus erros, o que acontecia na maioria das vezes.

“Agradava-lhe que seus cortesãos multiplicassem seus bens, engordassem suas bolsas. Não consigo me lembrar de um só caso em que o gracioso monarca tenha anulado uma promoção ou expulsado alguém do palácio por corrupção. Corrompam-se à vontade, desde que permaneçam leais a mim!”.

Apesar de Selassié demonstrar interesse para o progresso, fica evidente que o seu desejo era movido muito mais pela ambição e reconhecimento, do que pelo bem estar da população.

“Eis aquele que nos trouxe o desenvolvimento”. Sonhava um súdito.

O autor procura elucidar em vários momentos a cultura da Etiópia, que, talvez, possa parecer um povo sem atitude ou avesso aos problemas sociais ou que se abstém de lutar por seus próprios direitos.

Afinal, é um povo que vê em seu rei um magnânimo e não tem forças para questionar as decisões do “enviado de Deus”.

Quando foi publicado na Polônia em 1978, e na Inglaterra em 1983, O Imperador foi percebido não apenas como um relato jornalístico, pois seu tema era um país remoto e seu autor cidadão de uma ditadura stanilista na Polônia. Isso fez que o livro fosse considerado uma alegoria.

Ao falar da autocracia etíope, como seus ministros corruptos e das pompas oficiais em contraste com a pobreza dominante, Kapuscinski na verdade estaria falando do stanilismo na Polônia, com seus burocratas aproveitadores, da repressão política e da apatia social. A Etiópia do livro serviria de metáfora para a Polônia Stanilista

“Escrevi O imperador pára os jovens poloneses que tem uma experiência política e psicológica definida, e que irão entender minha escrita metafórica. O texto é dois textos – o que se lê sobre a Etiópia e o que está debaixo dele. È uma forma de escrita secreta, um texto que é como um código secreto da prisão... Contudo O Imperador não foi escrito somente para os poloneses. Ele é sobre política, sobre como uma mudança na situação modifica a natureza das pessoas que estão envolvidas nela”.

O livro é uma ótima chance para quem quer se aventurar como correspondente internacional, e conhecer os riscos que podem ocorrer sendo um estrangeiro em um país sob guerra.

Com posfácio de Mario Sergio Conti, O Imperador é um convite não só a incríveis histórias dos bastidores de um império, mas também ao conhecimento de uma cultura tão distante da que conhecemos.

Acabou

Pois sim amigos, acabou. Após quatro anos de incessantes estudos, hoje posso me orgulhar e dizer: Sou jornalista.
A apresentação do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) aconteceu no dia 27 de novembro na Fapcom. Tudo correu muito bem, e o programa foi muito elogiado.
Para quem não sabe o projeto apresentado foi um programa de entrevista com foco em cultura e seu nome é CAMARIM.
Fizemos quatro reportagens: Entrevista com Sandra Brecheret (feita por mim) Revitalização do Teatro Cultura Artística, Cinemateca de São Paulo e entrevista com a maestrina Kitty Pereira.
A produção não foi fácil, a convivência em grupo muito menos, mas conseguimos e aprendemos - pelo menos eu - que não é necessário sabermos tudo, mas sim saber lidar com o melhor de cada um.
Aproveito o espaço para agradecer a todos que contribuiram para que esse momento chegasse, pessoas que sempre acreditaram que a vitória é melhor aproveitada quando superamos as dificuldades. São professores, amigos e principalmente a familia, que sempre nunca nos desampara quando precisamos. A vocês, meu muito obrigado!


Logo do programa

Logo mais postarei a entrevista que fiz com Sandra Brecheret.